Investimento em intermodalidade pode ser solução para transporte terrestre

Por Gustavo Lima de Azevedo – Publicado no Brasil Caminhoneiro

Este ano, a safra de grãos bateu mais um recorde. Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o país produziu 154,2 milhões de toneladas de grãos, em 2010 foram 149,2 milhões.

Tal produção deixa claro um dos principais problemas logísticos do país, os gargalos. Rodovias e portos cheios de caminhões parados, carregados até o limite à espera da normalização do fluxo para escoar todos os materiais.

Durante anos, o Brasil assistiu ao crescimento econômico e o baixo investimento em infraestrutura. A malha ferroviária, que deveria ser a principal alternativa no transporte dos grãos está sucateada e é responsável por pequena parte da movimentação das cargas brasileiras, apenas 25%. Hoje, cerca de 60% da carga é transportada por rodovias.

Para falar sobre o setor, Brasil Caminhoneiro conversou com a Gerente de Logística Rodoviária Dedicada da ALL (América Latina Logística) Michelli Vanessa Kultchek e com o Presidente da FENCAT (Federação Nacional das Associações e Cooperativas de Caminhoneiros e Transportadores), Luiz Carlos Neves.

***

Qual o principal problema diagnosticado no segmento de transporte?
Luiz Carlos –
Ainda existe muito descaso com os caminhoneiros autônomos e transportadores, falta de união do setor, uma política própria, noção da importância do que eles representam e a força que possuem, quando todos se unirem a história do transporte será outra. Sabemos que custo de fretamento é mais expressivo que os demais modais em função dos riscos de roubo e a segurança nas rodovias e estradas, a capacidade de tração de carga é bastante reduzida, os veículos possuem um elevado grau de poluição ao meio ambiente, a falta de investimento na malha rodoviária e a cobrança de muitos pedágios.

Michelli Kultchek – Os dois grandes desafios do setor ferroviário são a amplitude da malha e a busca pela melhoria operacional da ferrovia. Melhorar a operação e a confiabilidade da malha são os grandes incentivadores do uso do modal, junto com sua competitividade e grande capacidade.

Qual a vantagem de cada modal específico?
MK –
Com capacidade para grandes volumes e de um preço mais competitivo em relação ao transporte rodoviário, a ferrovia é o melhor modal para grandes distâncias e para clientes com amplo volume de carga. Por conseguir transportar um volume maior de carga, o transporte ferroviário reduz os custos em até 30% [em relação ao transporte rodoviário].

LC – Os caminhões também têm vantagens significativas, assim como a flexibilidade, mais agilidade no acesso às cargas e rapidez na entrega em curta distância.

Como é feita a segurança do transporte?
MK –
Os trens são monitorados em tempo integral por GPS. O computador de bordo (CBL) recebe as autorizações para circular do CCO via satélite (sistema Autotrac) e controla a posição e a velocidade das composições. Caso o maquinista desrespeite os limites de velocidade ou da licença, entra em operação a Cerca Eletrônica, que atua diretamente no freio, para o trem e avisa o centro de controle para que as devidas providências sejam tomadas. Ainda em 2011, serão instalados detectores de enchentes nos trechos com risco de alagamento e detectores de defeito de rolamento por som.

LC – O Transporte rodoviário envolve alguns riscos no que diz respeito à segurança, o roubo de cargas tem sido um problema sério, exige a implantação de muitas medidas de segurança para assegurar a carga da origem ao seu destino, como a aquisição de sistemas de rastreamento via satélite e outras tecnologias para monitoramento 24 horas, gerenciamento de risco da carga, escoltas armadas, muita atenção nas áreas de risco, paradas para abastecimentos entre outros.
Hoje o trabalho fundamental das Associações de Caminhoneiros e Transportadores, representadas pela FENACAT é com a segurança. Estamos investindo cada vez mais, criando dentro de cada associação um sistema de monitoramento e gerenciamento de risco próprio, ainda que seja por meio de parcerias com grandes empresas, pois estamos mapeando as áreas perigosas e, desta forma, criando proteção.

Para quem estiver interessado na área, há qualificação específica?
MK –
A principal demanda é por profissionais da área de logística e engenharia. Também existe a dificuldade pela mão de obra técnica especializada. Além de depender dessa mão de obra, são raras as instituições no mercado que oferecem especializações, a ALL desenvolveu uma formação específica em sua universidade corporativa (UNIALL), a fim de garantir a qualificação de seus colaboradores.

LC – Existe, sim. O SEST/SENAT (Serviço Social do Transporte / Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte) promove centenas de cursos de capacitação para motoristas – Para maiores informações: http://www.sestsenat.org.br ou 0800-728-2891.

O Brasil é conhecido por sua tradição no transporte rodoviário, cerca de 60% dos produtos são transportados por caminhões. Quais as soluções para equilibrar o transporte?
MK –
Sem dúvida, há muito espaço para ferrovia crescer em participação sobre o transporte rodoviário e é o que a ALL busca. O shared nos portos, por exemplo, considerando-se o mercado captável por ferrovia, vem crescendo ano a ano. Mas, isso não significa um prejuízo ao mercado rodoviário. A ferrovia tem seu papel na logística de cargas de maiores volumes e distâncias e o caminhão, menores distâncias e volumes.

LC – O investimento em rodovias e segurança também seria uma solução fundamental. Também acho que a Intermodalidade é uma solução a longo prazo, acompanhada de uma grande mudança conjunta do setor. Esses temas serão discutidos em Audiência Pública realizada pela FENACAT, no dia 05 de Maio na Assembléia Legislativa de São Paulo. Aproveito para convidar a todos do segmento para que acompanhem as informações em nosso site.

  • Fotos

Foto01 e 03 – Divulgação/ALL

Foto02 – Divulgação/BrasilCaminhoneiro

Foto04 – Presidente Luiz Carlos/ Divulgação / FENACAT

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