A ética no jornalismo

 Por Gustavo Lima
Diferente da maioria das profissões, a função do jornalista está envolvida com a opinião pública, principalmente quando se trata de informá-la. Portanto, os valores éticos e morais são arraigados às publicações, que, na maioria das vezes, tendem a influenciar a sociedade.

Percebe-se, então, que os valores do indíviduo podem fazer grande diferença nos periódicos, revistas e emissoras em que o profissional venha a ter vínculo. Pensando em uma utopia, os indivíduos responsáveis cumpririam sua função,  serem os porta-vozes da opinião pública, perseguindo sempre o que é de interesse público.

Mas, aí, entram algumas particularidades. Uma das discussões recorrentes é a diferença entre a ética empresarial e pessoal, e se tal diferença deveria existir. No vídeo “Controvérsias”, o jornalista Luiz Geraldo Mazza critíca essa dualidade. Para Mazza, existe apenas uma ética, geral, onde o indivíduo percebe se está, ou não, fazendo bem a alguém.

O jornalista ainda comenta sobre a chamada ética profissional. Mas diz que ela não pode existir exatamente, já que a linha editorial da empresa sempre vai filtrá-la. Dessa maneira, cabe ao jornalista procurar um ambiente de trabalho onde seus ideais sejam semelhantes ao da empresa, para que, assim, não haja conflito de interesses.

Então, para garantir a imparcialidade e a ética na cobertura jornalística, deve-se existir uma grande variedade de meios e empresas jornalísticas. Dessa forma, todos os ângulos podem ser abordados, criando a possibilidade de comparações. É isso que o autor de “Sobre ética e imprensa”, Eugenio Bucci, defende.
“Sem diversidade, como é natural, não pode haver uma imprensa ética
– pois ela tenderá a representar a voz das grandes corporações.”
<Eugenio Bucci, ‘Sobre ética e imprensa’, pp.14, 2000>

Na direção contrária, por exemplo, temos o sensacionalismo, tão comum nos dias de hoje, e a necessidade de vender material em altas quantidades e em uma velocidade absurda, o primeiro ignora a apuração séria e o segundo a dificulta, o que leva a publicações sem responsabilidade social e com graves erros.

Tais defeitos se tornaram tendências em grandes portais onlines e nos grandes meios de comunicação. Se o veículo ‘x’ não tem a mesma matéria que o ‘y’, ele a copia, raras vezes cruzando as informações para checar a veracidade do conteúdo, o que deveria ser indispensável em uma notícia jornalística. Dessa forma, Rogerio Christofolotti propõe no livro “Ética no jornalismo” que não importa o rumo que o jornalismo tome, não pode deixar sua base de lado, coisa que vem acontecido muito nos dias atuais.

“Qualquer que seja o conceito que o jornalismo busca para si,
nesse autoresgate ou reinvenção, não pode deixar de reforçar sua função social
nem se desprender da responsabilidade social que lhe é própria,
nem se esquecer da qualidade técnica, ser exercido sem ética ou distanciar-se
do interesse público. Se descartar essas bases, perde as raízes que o sustentam.”
<Rogério Christofolotti, ‘Ética no jornalismo’, pp.102,2008>

Para reverter tal situação, o jornalista deve ter uma formação consistente, que seja capaz de fundir o caráter do indivíduo com a noção do que é ética como profissional. Em meio a isso, deve existir um conteúdo que estimule seu senso crítico, afim de evitar profissionais capacitados apenas da reprodução do que lhes é dito sem qualquer reflexão.

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